PRÓ-SECÇÃO DE FUTEBOL DE MESA

DA

ASSOCIAÇÃO ACADÉMICA DE COIMBRA

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Parabéns A.A.C. pelos 117 anos!
Noticias da Academia:
Realiza-se no dia 4 de Novembro, em Lisboa, a Manifestação Nacional dos Estudantes do Ensino Superior. A Manifestação visa contestar a politica educacional do governo.

Noticias da Académica-OAF:

A Académica-OAF perdeu por 3-1 em Vila do Conde, frente ao Rio Ave, em jogo da 8ª jornada da Superliga. No próximo Domingo, a Briosa recebe o U. Leiria no Estádio Cidade de Coimbra, pelas 16:00. Comparece!

 

 

COIMBRA

A História escreveu-se com sonoridades celtas até ao séc. II AC, século marcado pela chegada dos romanos e da qual ficaram até aos nossos dias sinais de uma cultura grandiosa que podemos admirar no Criptopórtico da Civitas Aeminium que hoje integra o Museu Nacional de Machado de Castro.
Coimbra fez-se depois mourisca e já Almedina era o nome da cidade dentro das muralhas, quando chegou o tempo da afirmação da Fé Cristã pela Reconquista.

As urbes protegiam-se então à volta dos templos, e Coimbra, por vontade de D. Afonso Henriques, primeiro Rei de Portugal, viu nascer em 1131 o Mosteiro de Santa Cruz e fez-se cidade - berço de Reis.

A Sé Velha, sagrada em 1184, testemunha ainda hoje o imaginário da Arte Românica. Mas Coimbra deve aos monges de S. Bento e de Cister os mosteiros e conventos de grande sobriedade, onde a luz iluminava paredes nuas e arcos elevavam as construções a Deus. Santa Clara-a-Velha, que é deste tempo, testemunhou sempre a devoção que o povo prestava à Rainha Dona Isabel de Aragão, que o tempo tornou Santa. Foi em Santa-Clara-a-Velha que viveu Inês de Castro, essa bela mulher por quem D. Pedro se tomou de amores. E foi também aqui que D. Afonso IV mandou executar Dona Inês e iniciou assim a mais trágica e imortal história de amor escrita em Português.

Mas é o Renascimento e a Universidade que distinguem, secularmente, Coimbra. A Universidade foi fundada em 1290 por D. Dinis e transferida, definitivamente, para Coimbra, em 1537. E, se a dignidade do Paço Real sempre lhe conferiu altivez, os mares longínquos navegados pelos Portugueses trouxeram-lhe outras marcas: os portais manuelinos da Capela de S. Miguel ou os sinais de exuberância marcados por madeiras exóticas e pelo ouro do Brasil, de que é exemplo a Biblioteca Joanina.
É pela elegância da Via Latina que se tem acesso à Sala dos Grandes Actos, esse lugar solene, marcado por retratos régios, onde todas as grandes cerimónias académicas continuam a acontecer.
E se a velha Torre, do alto dos seus trinta e quatro metros, continua a marcar horas, a Universidade em Maio veste-se com a cor de todas as suas Faculdades e desce, cidade abaixo, numa Festa onde, manda a tradição, se começa por queimar o Grelo. E, se é do Pátio da Universidade que o Mondego parece mais bonito, é decerto também porque, em Coimbra, o rio foi sempre cantado.



Os estudantes deram e continuam a dar a Coimbra fados e baladas, livros e poemas, sonhos e Saudade.
É esta cidade que deve visitar por inteiro. Descobrir as velhas ruas da Alta, admirar o rio Mondego lá bem do alto do Páteo da Universidade, ir às compras pelas ruas pedonais da Baixinha, deliciar-se com as fachadas das “Repúblicas”, essas casas de estudantes onde a regra ainda é feita de Centenários e muita irreverência.Vá às livrarias, descubra os antiquários, prove o sabor da boa mesa e, se em Maio estiver em Coimbra, nunca se esqueça de que a cidade se veste com muitas cores e à meia-noite de Quinta-feira, nas escadas da Sé Velha, ouve-se, em silêncio, o fado de Coimbra. É todos os anos a uma Quinta-feira. É sempre na Queima das Fitas porque “Coimbra tem mais encanto na hora da despedida!” Só lhe deixamos o trabalho de perguntar porquê...

 

Universidade de Coimbra

Uma das mais antigas Universidades da Europa.
Fundada em Lisboa em 1290, foi transferida definitivamente para Coimbra em 1537, instalando-se no Paço Real. Neste local terão os romanos edificado o pretoriumo que já diz muito da importância estratégica e logo militar do local. Foi depois o local da Alcáçova árabe que teria uma configuração geométrica similar à configuração actual. Com a conquista cristã veio a ser o Paço Afonsino, que o Rei D. Manuel reformaria profundamente, mandando também edificar a Capela de S. Miguel.
O edifício apenas passou a pertencer à Universidade em 1597, data em que esta instituição o adquiriu, durante o domínio filipino, ao Monarca Espanhol - Filipe II (I de Portugal). É nesta época que nascem ao lado do Paço novas estruturas: a Biblioteca, a Torre e a Via Latina. A Porta Férrea, também mandada instalar nesta época, continuou a marcar o local de entrada delineado no tempo da ocupação árabe.
Todo o conjunto foi reformado algumas vezes ao longo da sua história.

 

O Fado e a Guitarra de Coimbra

O debate sobre as origens do Fado tem originado uma intensa polémica entre os investigadores devido à coexistência de diversas teorias que poderemos tipificar da seguinte forma:

  • A tese arábe que remete as origens do Fado para as "ouds" arábes, acentuando as reminiscências da presença árabe e, mais tarde, moçárabe, nas expressões da produção cultural do território português;

  • A tese provençal que remete as origens do Fado para as Canções de Amor e Baladas Provençais da Idade Média; e

  • A tese africana que remete o Fado para o Lundum africano - canção melancólica de origem angolana, atribuído à comunidade de escravos, que os "construtores" do Império transportaram para o Brasil. Esta canção teria sido provavelmente adoptado pelos marinheiros que o entoavam "nas proas dos navios, em conjunto com canções de levantar âncora e com as canções dos deportados ..." e assim deverá ter chegado a Lisboa. Terão sido os marinheiros que o trouxeram para Alfama como uma rude e obscena dança de bordel.

Só depois de 1822, após o retorno da Corte Portuguesa do Brasil (Rei D. João VI), o Fado se generalizou como dança e canção.
E é após esta data que se expande para o Porto e Coimbra.
Aqui, o Fado teve, desde sempre, um estilo mais elevado e romântico, a que não será estranho o facto da cidade possuir, desde 1290, uma comunidade estudantil. É natural que uma herança, invisível mas significativa do ponto de vista histórico e cultural, tenha contribuído para dar ao Fado um carácter erudito e uma auréola mais romântica.
Coimbra, ao contrário de Lisboa, não possui porto e terá sido a sua posição geográfica que, em conjunto com uma forte tradição cultural de origem monástica e universitária, terá decididamente contribuído para a forma específica do Fado de Coimbra.
Mas o Fado é também a Guitarra e a trajectória de adaptação que esta sofreu ao longo dos séculos até se tornar um instrumento de excelência ao serviço do Fado e da Alma Portuguesa.
A guitarra portuguesa teve, ao longo da sua trajectória, inestimáveis contribuições que ajudaram à formação das suas características actuais e que, ainda hoje, são visíveis na sua forma e tom.

Essas contribuições vieram:

  • da cítara - instrumento introduzido em Portugal no século XVI, proveniente provavelmente de Itália ou da Flandres, que se tornou popular após a segunda metade desse mesmo século;

  • da guitarra inglesa, que teve a sua origem na primeira metade do século XVIII e terá sido introduzida em Portugal por membros da colónia inglesa que, neste período, começa a fixar-se no Porto. Era, portanto, um instrumento, ligado à burguesia que, à época, se tornava cada vez mais poderosa, e que desapareceu da Europa na primeira metade do século XIX.

Em Portugal, o seu uso foi conservado e, após a segunda metade do século XIX, começou a ser utilizado por outras classes que, não apenas, a burguesa.

O seu uso em Coimbra originou uma prática instrumental muito rica que a tornou num instrumento único na música popular de expressão urbana.
Para isso, muito contribuiram, Artur Paredes e, mais tarde, o seu filho, Carlos Paredes, que poderemos considerar como os grandes responsáveis pela evolução da Guitarra de Coimbra.
É também em Coimbra que, sobretudo a partir de finais das décadas de 40 e 50 do século XX, um conjunto de factores conduziram ao aparecimento das Baladas e Canções de Intervenção, cujo ícone é, sem dúvida, a "Trova do Vento que Passa", poema escrito por Manuel Alegre imortalizado na voz de Adriano Correia de Oliveira e na música de António Portugal.
Coimbra foi, na década de 50 e até ao 25 de Abril de 1974, solo fértil de germinação dos ideais de Liberdade.
A prová-lo, temos todas as lutas estudantis, sobretudo as que tiveram lugar entre 1962 - 1969, a riqueza cultural da Academia de Coimbra e a intensidade da vida que atravessou todas as Repúblicas da cidade neste período.
Hoje, o Fado de Coimbra, mostra uma clara tendência romântica e descritiva da vida dos estudantes na cidade, que parece ter começado a desenvolver-se após a década de 80 do século XX.
O Fado de Coimbra foi renovado. Contudo, continua a ser cantado, exclusivamente, no masculino. Mesmo quando celebra muitas mulheres.

 

As Repúblicas

Espaços míticos da academia, as Repúblicas de Coimbra remontam ao séc. XIV, época em que a cidade assiste a um crescimento significativo da população estudantil, fruto da sua afirmação como importante centro de estudos.

Visando colmatar carências a nível habitacional, foi criado em 1309, por D. Dinis, um diploma régio cujo objectivo se prendia com a construção de casas destinadas a estudantes na zona de Almedina. O custo do aluguer era fixado por uma comissão, nomeada pelo Rei e constituída por estudantes e "homens bons" da cidade. Foi pois, a partir da construção destas habitações, que surgiram as Repúblicas que hoje conhecemos.

É a partir do primeiro código da praxe, que data de 1 de Março de 1957, que o funcionamento das Repúblicas é regulado o que lhes confere uma personalidade jurídica. Naturalmente que antes desta data existia "um código de comportamento" que se foi estabelecendo ao longo de décadas e que acabou por, informalmente, definir a vida numa República. Aliás, em 11 de Dezembro de 1948 foi criado o Conselho das Repúblicas com o objectivo de aumentar o seu número e garantir a sua subsistência. Figuras proeminentes de todas as Repúblicas, em todas as épocas, foram as "Senhoras Marias" que, ao cuidarem dos detalhes domésticos, nomeadamente alimentares, rapidamente se tornaram parte importante da vida dos repúblicos.
Sinónimo de irreverência, as Repúblicas, sempre foram também sinónimo de Democracia o que aliás decorria da sua organização interna: a administração é da responsabilidade conjunta de todos os membros da casa, presidida pelo Mor, "doutor" ou "veterano". A divisão do trabalho, era organizada, sobretudo nas décadas de quarenta e cinquenta do séc. XX, em "Ministérios", cabendo a cada um dos membros da República uma das diferentes "pastas", sendo a que apresentava maiores dificuldades de gestão, a das "Finanças". Há assim, uma histórica partilha de responsabilidades o que muito explica a cultura desenvolvida nas Repúblicas e o seu inestimável contributo para a afirmação da Academia de Coimbra.
Foi aliás na década de sessenta do século XX, que a afirmação da Academia de Coimbra se projecta Nacionalmente. As lutas estudantis, nomeadamente em 1962 e 1969 vieram a conferir à Academia de Coimbra um enorme poder simbólico organizado em volta da ideia de Liberdade e Democracia.
Pelas Repúblicas de Coimbra passaram figuras proeminentes do movimento estudantil e a sua tradição fortemente democrática era o enquadramento ideal à discussão de novos valores e à promoção de uma criatividade marcada pela generosidade estudantil.
Hoje, as Repúblicas, não apresentam a mesma vivacidade do passado, mas mantém a defesa dos valores que as tornaram únicas: a vida em comunidade e a defesa da democracia.
Várias, são aquelas, que procuram reviver as tradições que o "Luto Académico", em 1969, aboliu. Os "Centenários", comemorados anualmente, e conceptualmente definidores da riqueza da vida numa República são, hoje, um dos mais importantes factos herdados dessa ancestral tradição.

Texto e Fotos: Região de Turismo do Centro. Direitos Reservados.

 

 

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